Entre Notas #11

A trégua do Fisco não é um convite à inércia. Entenda a nova lógica do Supply Chain e os riscos de uma automação incompleta

Estamos de cara nova, mas o compromisso de trazer os insights mais estratégicos para a sua operação continua o mesmo!

Nesta edição, o foco é a janela de oportunidade que se abriu no mercado corporativo. Com a Receita Federal confirmando uma trégua temporária nas multas da Reforma Tributária e as Duplicatas Escriturais redesenhando o acesso ao crédito, o momento definitivamente não é de pausa, mas de preparação de esteira. Vamos explorar como a nova lógica do Supply Chain e o fim da "falsa automação" vão separar os times eficientes daqueles que continuarão expostos a riscos.

Dê uma pausa na rotina, sirva seu café e atualize-se com a gente!

💳 Financeiro: a duplicata escritural vira a nova alavanca de crédito e competitividade para as PMEs e ganhará força com PIX;

🏛️ Reforma Tributária: muito além das guias: como a nova lógica do Supply Chain vai reconfigurar a sua relação e exigência com fornecedores;

⚖️ Receita Federal: o fôlego de 90 dias sem multas na transição da Reforma e por que esse período educativo não é um convite à inércia;

💻 Tecnologia: os perigos da "falsa automação" e o gargalo dos processos fiscais que param no meio do caminho antes do ERP;

🧠 Desenvolvimento Pessoal: o fim da digitação de notas e a ascensão do Profissional de Finanças 4.0 na era da Inteligência Artificial;

📊 Dica do Mês: faça um raio-x da sua operação e descubra os seus gargalos com o Panorama de Maturidade do Recebimento Fiscal de 2026.

DUPLICATA ESCRITURAL VIRA ALAVANCA DE CRÉDITO PARA PMEs E GANHARÁ FORÇA COM PIX

A recente evolução regulatória em torno da duplicata escritural marca uma transformação estrutural no mercado de crédito brasileiro. Na prática, estamos deixando para trás o modelo baseado em documentos físicos e controles descentralizados para ingressar em um ecossistema 100% digital, padronizado e rastreável.

Essa virada de chave aumenta drasticamente a segurança jurídica, a transparência das operações e a confiabilidade dos ativos financeiros que circulam na economia. Enquanto as grandes corporações têm a obrigatoriedade batendo à porta já no final de 2026, as médias e pequenas empresas contam com um fôlego regulatório até o final de 2027.

No entanto, para as pequenas e médias empresas (PMEs), se adiantar ao prazo pode representar grande vantagem competitiva: a duplicata escritural surge como a grande facilitadora para o acesso a financiamentos e antecipações.

A grande vantagem para as PMEs reside na mudança do foco da análise de risco. Historicamente penalizados por altas taxas de juros devido à falta de garantias robustas, esses negócios agora conseguem mais segurança. Como as informações já nascem validadas e estruturadas nas registradoras autorizadas, o risco de fraudes ou duplicidade percebido pelas instituições financeiras e fintechs despenca. Com recebíveis de “melhor qualidade” rodando no mercado, o custo do crédito (spread) também tende a cair.

Ao encontro desse debate, o Banco Central já prepara o terreno para o que o mercado vem chamando de "Pix de duplicatas". Com o desenvolvimento de novas funções para a ferramenta de pagamento instantâneo, a expectativa é que a liquidação desses recebíveis digitais aconteça com velocidade e rastreabilidade inéditas no B2B. Na prática, o ecossistema conectará o registro eletrônico do título diretamente ao pagamento via Pix, eliminando o atraso nas conciliações bancárias tradicionais e reduzindo ainda mais o risco de inadimplência.

É o início de uma nova fase onde o volume de operações com ativos digitais vai escalar, exigindo que uma empresa tenha processos de captura e validação impecáveis para aproveitar as melhores taxas dessa nova vitrine financeira.

MUITO ALÉM DO IMPOSTO: A NOVA LÓGICA DO SUPPLY CHAIN NA REFORMA

É comum olhar para a Reforma Tributária apenas sob a ótica do cumprimento de novas obrigações contábeis e ajustes de alíquotas. No entanto, o impacto da transição para o modelo de IVA dual (IBS e CBS) vai muito além das guias de recolhimento: a nova lógica de não-cumulatividade plena vai reconfigurar inteiramente as cadeias produtivas e a forma como as empresas fazem negócios.

No novo cenário, a eficiência tributária e o nível de compliance do seu fornecedor terão impacto direto e sistêmico na apropriação de créditos da sua própria operação. Isso significa que a área de Suprimentos não poderá mais fechar contratos baseando-se exclusivamente em preço e prazo de entrega.

A maturidade fiscal do parceiro de negócios passará a ser um critério de corte decisivo, já que um fornecedor com problemas tributários ou tecnológicos poderá encarecer e travar o fluxo de toda a cadeia de suprimentos.

Essa transformação exige que as áreas Fiscal, Financeira e de Compras passem a atuar com uma governança integrada. Preparar os sistemas para a Reforma não é apenas sobre calcular o imposto corretamente; é sobre ter visibilidade total e controle absoluto das operações de entrada para garantir que nenhuma margem seja perdida nas transações com fornecedores.

O CARÁTER EDUCATIVO DA REFORMA: RECEITA REFORÇA 90 DIAS SEM MULTAS

O ano de 2026 consolida-se como um período de "teste e aprenda" na transição para o novo modelo tributário brasileiro. Para dar fôlego aos contribuintes e mitigar as incertezas operacionais, a Receita Federal esclareceu oficialmente neste mês de abril que não haverá aplicação de multas antes de 90 dias após a publicação definitiva do regulamento da Reforma Tributária.

Nesse primeiro momento, o foco do Fisco é a adaptação dos sistemas empresariais e a simplificação, sem gerar efeitos punitivos imediatos por eventuais erros na nova apuração da CBS e do IBS. No entanto, o alerta das autoridades e consultorias tributárias é unânime: a trégua das penalidades não é um convite à inércia.

As obrigações acessórias continuam existindo e precisam ser entregues durante esse prazo de carência. O grande objetivo dessa janela "educativa" é permitir que as corporações usem o tempo a favor dos seus ERPs. É o momento de testar a parametrização de novos campos, validar cruzamentos de dados e alinhar a governança interna em um ambiente seguro, garantindo que a operação esteja blindada quando a régua de cobrança finalmente subir.

O QUE OS CFOs QUEREM DE VERDADE É AUTOMAÇÃO: SUA EMPRESA ESTÁ PRONTA?

Automatizar de verdade é ganhar produtividade e diminuir lead time e trabalho manual. Nossos ultimos dados mostram que enquanto 87% das pessoas afirmam que são maduros isso não tem refleitdo em produtividade.  

Os dados do nosso recém-lançado Panorama de Maturidade do Recebimento Fiscal escancaram exatamente esse cenário. Muitas companhias acreditam que operam no estado da arte tecnológico simplesmente porque possuem um robô que automatiza o download do XML das notas fiscais. Mas a realidade do "chão de fábrica" fiscal é bem diferente. A digitalização muitas vezes para no meio do caminho, exigindo que o analista faça validações visuais, trate divergências por e-mail ou digite dados manualmente para conseguir registrar o documento no ERP.

Esse abismo evidencia que não basta digitalizar a entrada da nota; é preciso automatizar a inteligência do fluxo. O mercado agora demanda soluções robustas que realizem o cruzamento rigoroso de dados (como o matching entre nota e pedido) e orquestrem a esteira de ponta a ponta sem intervenção humana. Se a sua tecnologia não vai até a liquidação no ERP, a sua empresa continuará exposta a passivos e ineficiência.

IA E O PROFISSIONAL DE FINANÇAS 4.0

Dar o salto de um excelente executor de rotinas (focado apenas em compliance e fechamentos) para um parceiro estratégico de negócios exige mais do que ler a nova legislação do IBS/CBS. O Profissional de Finanças 4.0 precisa entender como a Inteligência Artificial e a governança de dados operam na prática.
Para te ajudar a construir o vocabulário e a visão de negócios que o novo ecossistema financeiro exige, preparamos uma curadoria com 3 materiais essenciais para a sua transição:


1. A Habilidade do "Curador de Dados"

  • O que consumir: Livro – "Storytelling com Dados: Um Guia Sobre Visualização de Dados Para Profissionais de Negócios", de Cole Nussbaumer Knaflic.

  • Por que estudar isso: O papel do Coordenador Fiscal não é mais garantir que a nota foi digitada, mas interpretar o volume colossal de dados do ERP. Este livro é a bíblia do Data Storytelling. Ele ensina como traduzir ineficiências operacionais em uma linguagem executiva. Você aprenderá a convencer o C-Level a investir em tecnologia mostrando o risco financeiro real, e não apenas recitando a regra contábil.

2. Assistentes vs. Agentes Autônomos

  • O que consumir: Artigo – "AI agents vs. AI assistants" (IBM Think).

  • Por que estudar isso: Este material da IBM explora a diferença crucial entre a IA reativa (Assistentes, que dependem dos seus comandos) e a IA proativa (Agentes, que atuam de forma autônoma para concluir objetivos complexos). Entender essa transição tecnológica é o primeiro passo para o líder que deseja orquestrar sistemas capazes de fazer o matching de notas e a auditoria preditiva sem intervenção humana.

3. O Desafio Humano: Engajando a Equipe na Mudança

  • O que consumir: Vídeo (YouTube / TED Talk) – "5 ways to lead in an era of constant change" (5 maneiras de liderar em uma era de mudanças constantes), de Jim Hemerling.

  • Por que estudar isso: A janela de 90 dias sem multas da Receita Federal será o seu laboratório. No entanto, sua equipe terá medo de errar com o novo modelo de IVA e receio de ser substituída pela automação. O Change Management (Gestão da Mudança) será o seu maior trunfo. Neste TED Talk brilhante, Jim Hemerling ensina como transformar processos exaustivos de reestruturação em uma jornada de empoderamento, vencendo a resistência interna do seu time.

FAÇA UM RAIO-X NO SEU RECEBIMENTO FISCAL

Como vimos ao longo desta edição, o cerco da eficiência está se fechando. Seja pela nova era das Duplicatas Escriturais, pelas reconfigurações nas cadeias produtivas da Reforma Tributária ou pela urgência de superar a "falsa automação", o mercado não perdoa mais ineficiências operacionais. Mas antes de tentar implementar qualquer mudança, você precisa saber exatamente onde estão os gargalos da sua operação hoje.

Para te entregar essa clareza, a V360 lançou o Panorama de Maturidade do Recebimento Fiscal 2026. Muito mais que uma pesquisa, este material é um verdadeiro mapa estratégico do mercado. Nele, consolidamos dados reais com mais de 350 representantes de grandes empresas no Brasil. Veja onde as grandes corporações estão acertando e errando com a captura de documentos, validações e integrações de ERP.

Essa é a sua chance de fazer um benchmarking gratuito da sua esteira atual. Acesse o material para descobrir em qual estágio de maturidade a sua empresa se encontra e traçar um plano de ação seguro para blindar o seu Contas a Pagar antes que as isenções do Fisco cheguem ao fim.

SOBRE A ENTRE NOTAS

A Entre Notas é a sua pausa inteligente no ritmo da sua rotina! 

Aqueles 7 minutos entre uma reunião e outra, antes de mergulhar de volta na planilha ou a caminho de casa. Aqui, você encontra o que há de mais importante no universo fiscal, financeiro e de gestão, para ser a pessoa profissional mais bem-informada, eficiente e estratégica da mesa, sem precisar virar um robô para isso. É onde a notícia complexa vira insight claro, você descobre uma dica que pode automatizar uma tarefa chata na segunda-feira e encontra a motivação para liderar sua equipe de forma mais inteligente.

Para saber mais sobre a V360, acesse o nosso site.